Quando dois apenas um se tornam,
Cada vida é um triunfo de quem milita,
Novas almas, o legado de quem confia
E multiplica seus talentos com sabedoria.
Tudo está em paz.
Que mais é preciso?
Deixar o que se vai;
Ironia de um sorriso.
O viajante aldrava;
Traz a encomenda.
Ao que era pacífico,
Envia uma tormenta.
As águas se debatem,
Enquanto a esfera gira,
E quieto, o tempo late.
Como cão enraivecido,
Do remanso, sem piedade;
Descalabro da humanidade.
Ventos movem pra longe,
quem se põe a navegar.
Nova brisa, novo horizonte,
outras terras pra caminhar.
Sussurros desconhecidos,
em idiomas a desvendar,
instigam nossos sentidos,
deixam decisões a tomar.
A consciência lança âncora,
Fixa o juízo no fundo do mar,
para manter a esperança.
Farol que leva à bonança,
não teme o que encontrar,
se a Verdade a alcança,
Esses dias, discretamente, completei uma década de magistério. Tempo propício para agradecer a Deus pelo tempo que me foi concedido; pelas almas confiadas a meus cuidados; pelas sementes celestiais de paciência que tentei cultivar, de maneira a alimentar a razão sem perdê-la, a ponto de avaliar como difícil para algum homem honesto se lembrar de algum ato indecoroso ou um tabuísmo que pudesse macular a dignidade do egrégio ofício que a benevolente Providência me outorgou. Entrementes, escuso-me se, de alguma forma, deixei de perscrutar o horizonte que me foi designado.
Agradeço pela impassibilidade a qual me permitiu seguir em frente contra a correnteza; contra o desrespeito e o desprezo aos anos de serviço; a lecionar a quem, por vezes, não desejava aprender; a respeitar o livre-arbítrio alheio, incluindo a liberdade de jogar a própria vida fora, a qual, muitas vezes, repassa a quem só almeja levar espíritos à luz da Verdade a covardia de não ser capaz de dizer isso às claras aos próprios pais e enfrentar as consequências.
Sou grato pela educação católica que fecundou a família em que nasci e que cresceu na alma com o corpo a ponto de se estabelecer como parâmetro fundamental que dá sentido à existência.
Consola-me saber que minha voz em uma sala de aula não costuma ser lembrada pela facúndia política, mas pela objetividade das lições, acerca de conteúdos que se referem à excelsa Ciência que tem por objeto o alfabeto com o qual o Senhor criou o universo e que, por caridade, resolveu compartilhar com a humanidade a habilidade para compreendê-lo e manipulá-lo, a fim de lembrá-la permanentemente de seu múnus de corresponder a aspirações por coisas mais altas.
"Gratias ago tibi, Domine" pelos anticorpos que a cada dia combatem o câncer das mágoas, do remorso, do ressentimento, conservando a sanidade espiritual; pela refeição, cuja sesta alivia nossos fardos e nosso cansaço em um coração manso e humilde.
Só Vós conheceis as horas. "Fiat voluntas Tua"! E continuai, obsequiosamente, a me conceder a graça de cumpri-la.
Ad majorem Dei gloriam.
Amém.
Luz que ofusca na noite
de escuros dias sem norte,
em que velas de pouca sorte,
no vento se vão apagar.
Vento que constrange o voo
dos que na terra repousam
cansados do próprio esforço
no tempo se pondo a marchar.
Tempo que tudo perece,
no qual se nasce e se cresce;
a vida foge e se esquece
que dele não pode escapar.
Dele é o domínio da Terra,
de tudo o que nela se encerra
das almas que a morte liberta
para um dia à Luz retornar
Voltei ao lugar de onde vim,
de onde fugi sem ter ido,
não sei onde fui, eu não vi,
tão breve que há de ter sido.
Dormi, acordei, estava ali,
e dali percorri o caminho
caminhei por aí, logo ali
reconheci o velho destino.
Lá, revivi alguns bons tempos,
enterrados, largados ao relento
e que logo tornaram a morrer.
Adiante seguiram com o vento,
guardados, além dos momentos;
indo e voltando sem nada dizer.
Pôr-se a caminho e andar,
ao fim triunfante marchar,
Quem não servir a atrasar
quão excelsa parceira será!
Planeta sem satélite,
um dia no espaço voou
uma Lua em efeméride,
portento que sempre brilhou
Seu périplo decidido
aurora e ocaso lembraram
um luzir incandescido
que estrelas enevoaram
Tão vistosa aparecia,
imponente em sua órbita
pedia licença ao dia,
erguia-se antes da hora
Fortaleza em espiral,
tinha destino infinito,
pleito gravitacional,
escapou como prescrito
E navega sem destemor,
por mares muito escassos,
fulgurante como relâmpago,
em busca de novos astros.
Católico, professor, estudante universitário, ex-integrante da equipe editorial dos sítios Pastoralis e Sociedade Católica, antigo moderador em algumas grandes comunidades católicas em redes de relacionamentos.
Alguém mais em um mundo doloroso; alma em busca de algo além; de um Reino que não é daqui. Homem que vê na Ciência o dicionário do Altíssimo; na inteligência, o reflexo de Sua Luz que ilumina e dissipa as trevas da ignorância; na busca da Verdade, a Fé; no relativismo, a hipocrisia; no hedonismo, a concupiscência dos homens; na Lógica, a estrada para a Sabedoria; na vida, a glória de Deus; na doença, a fragilidade humana; na morte, a Onipotência.
Que sabe de sua incompetência; que procura se alimentar com a graça divina; que não faz concessões para transparecer simpatia. Homem de poucas palavras; de planejadas primeiras, segundas e terceiras intenções; de poucos amigos.
Homem que tenta ser leal aos preceitos transmitidos por seus pais e pela Igreja, derivados da Lei Natural e Eterna e que, no fim das contas, são tudo o que importa.