terça-feira, 2 de novembro de 2010
Exilados...
domingo, 12 de setembro de 2010
Analfabetismo
Analfabetismo
Machado de Assis - 15 de Agosto de 1876
Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases: o algarismo não tem frases, nem retórica.
Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país dirá:
- Quando uma constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito a todos superior a todos os direitos.
A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade:
- A nação não sabe ler. Há 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não lêem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles: é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, - por divertimento. A constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado.
Replico eu:
- Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições ...
- As instituições existem, mas por e para 30% dos cidadãos. Proponho uma reforma no estilo político. Não se deve dizer: “consultar a nação, representantes da nação, os poderes da nação”; mas – “consultar os 30%, representantes dos 30%, poderes dos 30%”. A opinião pública é uma metáfora sem base: há só a opinião dos 30%. Um deputado que disser na Câmara: “Sr. Presidente, falo deste modo porque os 30% nos ouvem...” dirá uma coisa extremamente sensata.
E eu não sei que se possa dizer ao algarismo, se ele falar desse modo, porque nós não temos base segura para os nossos discursos, e ele tem o recenseamento.
Fonte: http://www.carloszarur.com.br/pagina.php/148
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Do Princípio ao Fim
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Paulo Freire e Catolicismo
Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
O MÉTODO PAULO FREIRE EM DEBATE
Vejamos agora de mais perto em que consistem
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Tempo Incomum
Os dias que antecedem a vitória de Cristo sobre a morte são chamados de Tríduo Pascal. A transição entre o tempo comum e o período de preparação para a Páscoa da Ressurreição, é permeada, outrossim, por três dias bem singulares. A "sabedoria" popular chama esse período pela alcunha de carnaval.
Por Tradição, dizemos que Nosso Senhor desceu aos infernos, por ocasião se sua Paixão, a fim de abrir as portas dos céus às almas dos justos que lá esperavam a justificação. Talvez, analogamente, pudéssemos fazer memória deste fato nessa época que antecede a quaresma; quem sabe, chamarmos tríduo infernal a esse tempo incomum que termina uma fração do tempo comum?
É difícil encontrar similares para o grau de devassidão moral que se dissemina um pouco por toda parte, a partir da sexagésima, progressivamente tanto quanto mais nos aproximamos da quarta-feira de cinzas. Aliás, nada mais coerente do que, depois de descer aos infernos, tomar nota dos restos deixados por suas chamas; ou do pó onde todos acabamos.
É, pensado dessa maneira, talvez o carnaval tenha realmente sua utilidade prática.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Oxidação do Raciocínio
A potência que nos permite a reclamação escorre da mesma fonte que nos habilita a tomar consciência do abismo que separa a matéria da enigmática geratriz universal. Nossa compreensão exata das coisas alcança seu ápice quando nos apercebemos quão exata é a inexatidão de respostas oferecidas ao nos confrontarmos com tudo o que existe no mundo. Damos-nos conta da insuficiência de nossas forças e, nesse estágio, passamos à escolha de novas estradas. É aqui, no início do entendimento sobre o entendimento, que o homem deve começar a encontrar o seu fim; as motivações de sua existência. Infelizmente, também é este o trevo que dá acesso à DDRL – à via que leva à degeneração do raciocínio porque este é voltado contra si mesmo e passa a se autodestruir.
Pífio homem! Ciente de quão pequeno se encontra em comparação com a vastidão católica tomará, geralmente, o caminho das nuvens, considerando que, existindo muito mais nos céus que em terra, razoável seja supor que haja mais a almejar nas alturas. De outra sorte, incauto o intelecto daquele que, percebendo-se incapaz de resolver toda equação, decide solucionar o problema por exclusão; como alguns poderiam fazer para representar didaticamente todo o universo dos números naturais: Ninguém tentaria fazer caber todos eles em uma folha de papel. Toda representação é realizada com base amostral. Mas mesmo nesse caso uma parte do raciocínio se transporta do campo concreto ao abstrato e se dissolve em uma espécie de vácuo espacial para definir a infinitude do conjunto; em outras palavras, o intelecto transcende o papel para manter intacta a essência do universo trabalhado. Não ocorre o mesmo com quem, no cruzamento, toma o caminho errado.
Quem fecha a questão sem resolvê-la, abre a ponte aos carros sem terminá-la. O resultado é previsível: os carros caem no rio.
Em algum ponto da história, o ser humano achou que deveria responder tudo e, como resultado, creu que tudo aquilo ao qual não pudesse oferecer uma satisfatória explicação concreta seria certamente objeto de uma explicação concreta sem notar o quanto paradoxal esta afirmação se transforma ao considerarmos que a asserção das explicações concretas para tudo carece de uma mesma explicação concreta para si própria. De fato, não há consequência lógica aí, porque assim como a existência do homem não dependeu de sua vontade (e nem da de seus pais, pois jamais foram capazes de prever sua concepção senão aceitá-la como possibilidade real – ninguém constrói uma vida senão contando com o obséquio fortuito, como a semente que se planta e se espera que nasça, sem nunca descartar a possibilidade de que ela pode não “pegar” – e isso vale mesmo para fertilizações efetuadas de maneira artificial), a existência de uma explicação concreta também escapa ao seu domínio. Aliás, não é sem razão que domínio tem raiz etimológica latina
Desorientado por sua premissa equivocada; orientado pelos preceitos de sua embriaguez intelectual, o ser humano ao se deparar com a própria ignorância sob a alcunha de inteligência, ao invés de se voltar para aquilo que complementa a imensa escuridão de sua razão, isto é, olhar para luz, exclui de sua concepção de mundo tudo o que não se encaixa. Ao invés de continuar a montar todo o quebra-cabeça, mesmo considerando a possibilidade de que nunca chegará ao fim, prefere decidir com as peças que têm em mãos gerar distinto quebra-cabeça e impor nele o seu próprio final. O resultado é desastroso. Como seria se o matemático, impedido de alcançar a outra margem dos naturais, resolvesse descartar os que estavam longe. Ao contrário do ponteiro a cumprir seu papel em sua jornada circular pelas mesmas paisagens, o homem se rebela contra seu papel em sua jornada infinita e linear por paisagens portentosas nunca antes visitadas. O ponteiro anda em círculos porque deve. O ser humano anda em círculos por livre vontade.
Minando a certeza razoável da transcendência pela incerteza não razoável da potencial onisciência humana, o homem funde o próprio intelecto, atingindo-lhe diretamente em ponto essencial, de tal maneira que ele já não consegue mais se desenvolver e, estagnado, enferruja até que não se sustentado mais sozinho se quebra.
domingo, 16 de agosto de 2009
Epidemia... De médicos a sacerdotes, ortodoxia só no vírus
Temos em “mãos” (ironic mode) uma doença respiratória que, já há bastante tempo, é velha conhecida dos seres humanos: a gripe, causada pela(o) má(mau) “influenza”. Nessas férias, fui acometido por uma forte síndrome gripal quando estive
O engraçado dessa história é que não estou muito acostumado a adoecer (como se alguém estivesse, não é mesmo?). O que quero dizer é que a última vez, antes de 2009, que estive de cama, simplesmente não lembro, porque isso tem muito tempo (se é que alguma vez ocorreu). Todos por aqui têm históricos médicos. Eu descobri que a idade de minha ficha médica devia ter uns 10 anos. Bom! Porque o fato se relaciona à minha saúde. Diria que é historicamente boa, sem registros de alergias ou patologias. Nenhuma cataporazinha, rubéola, caxumba ou coisa que o valha. Muito justo que se dê crédito à minha genitora, bastante auspiciosa em relação a vacinar todos contra tudo o que se possa imaginar. Lembrei que, faz pouco tempo, ela ordenou vacinação geral contra febre amarela só porque nós iríamos ao Maranhão!
Mas voltando ao assunto, na Paraíba, vi-me realmente doente pela primeira vez em longo tempo. Já tive resfriados antes; ou mesmo gripes, com febre (baixa; abaixo dos 38ºC). Nunca precisei deixar de fazer algo por causa de uma gripe ou febre (sou bem teimoso com relação a doenças – não me sigam!). Minha rotina seguiu a rota: café-cama-almoço-cama durante ao menos as primeiras 48 horas da viagem. Nada que mereça ser destacado senão a febre em variáveis 37,5º C e 38º C. Irritava, mas não chegava a me impedir de executar tarefas leves. No terceiro dia, a febre desapareceu. Mesma coisa depois. E depois. Tanto que fui sem problemas à Missa dominical em uma paróquia próxima ao hotel – o Evangelho era sobre a multiplicação dos pães, aliás, com homilia realizada sob viés marxista (teologia da libertação). A situação parecia tranquila até que decidimos conhecer o Santuário Nossa Senhora da Guia, em Lucena, um outro município. No caminho, o ferryboat, as malditas balsas que em alguns locais, especialmente no Nordeste, fazem a travessia fluvial em todo lugar onde deveria haver uma ponte e não há (pra quem não conhece minha opinião sobre balsas, já dá pra ter uma ideia)! Eis que, no retorno, tivemos que aguardar cerca de uma hora e meia até que aquela placa flutuante retornasse ao atracadouro para nos levar de volta, passando um pouco da hora do almoço. O tempo estava bom, porém com ventos não desprezíveis e ainda uns rápidos pingos d’água. Não havia cobertura no pátio da área de espera e, fora do carro, o jeito era aguardar ao relento.
De volta a João Pessoa, seguindo a rotina familiar a qual, com a Matriarca presente, costuma consistir em ver e adquirir futilidades em mercados exóticos, não demoraria muito até que alguns sintomas se expressassem de maneira a revelar uma alteração significativa no comportamento de meu organismo a partir de então. Eles queriam dizer alguma coisa para que eu interpretasse; uma asserção, resumida de modo vulgar como: “Vai dar m....!”. O fato é que eu entendi e decidi retornar ao hotel, no que fui acompanhado por meu irmão. Era uma recaída violenta: uma perturbadora dor na região da coluna (que alguns alegaram ser dor nos rins), foi acompanhada da elevação da temperatura. Medida em um primeiro momento em cerca de 37,5º C, uma dosagem de adulto de dipirona (não elaborada por mim) sem considerar minha pressão normalmente baixa conseguiu piorar ainda mais as coisas. É bem verdade que não tinha medidores de pressão na mala, mas julgo que ela deveria estar em uns 7, 8 por alguma coisa. Bem, o fato é que a febre (ao contrário de minha pressão) aparentemente ignorou solenemente o antipirético e seguiu subindo até se estabelecer em quase 39º C. Daí em diante não conseguia fazer mais nada. Cogitaram um hospital, pegaram alguns telefones, mas eu recusei com veemência. Era uma gripe, que podia ser comum, podia ser suína e sendo uma ou outra, o pouco de meu cérebro funcionando me dizia que não era lá que eu encontraria ajuda; Minha intuição pedia que eu ficasse em casa, dormisse se possível e rezasse. De fato, passo longe de qualquer pseudogrupo de risco, o que, nesse país, exclui uma pessoa de qualquer possibilidade de receber um antiviral. Daí, meu frágil intelecto questionar: “O que é que tu vais fazer num hospital? Se tiveres gripe, nada farão; se tiveres a comum ainda te arriscarás a pegar a outra com aquele monte de suspeitos. Se for pneumonia, vão passar antibióticos que são vendidos na farmácia da esquina e isso, possivelmente, após raios-X que ainda demandarão certo esforço que tu não estás afim de fazer agora – sem falar na espera. Ademais, se não consegues nem ir ao banheiro andando, que te compensas a fadiga de levantar, sair ao vento à beira-mar e enfrentar trânsito até uma unidade hospitalar? Aborrecer-te-ás com algum médico ou alguém e vais acabar é morrendo”. Isto posto, dormi. Acordei ainda na madrugada e fui tomar um banho, depois do que a febre baixou. Ah! Nesse ínterim, orientada por meu antigo pediatra (isso mesmo; o único médico com o qual tinha algum histórico), buscaram amoxilina para tratar uma possível pneumonia (tratamento que foi seguido rigorosamente, aliás, nos sete dias que se sucederam, pois se sabe que é imbecil interromper o efeito de antibióticos). Bom, no dia seguinte, a febre já estava em níveis “confortáveis” (37ºC). Mais tarde, voltaria a desaparecer. Nada parecido voltaria a ocorrer até que, por irritante insistência familiar, levaram-me ao médico.
Preciso abrir uma questão de ordem: meu relacionamento com médicos é péssimo e acho que justamente devido ao fato de não ter tido nenhum durante longo tempo. Muitas pessoas têm médicos de confiança. Bem, eu tenho desconfiança de médicos, porque as notícias que me chegavam da classe estavam sempre relacionadas à relação deles para com pessoas próximas, familiares; e, por alguma razão, não descartada a infeliz coincidência múltipla, as consequências de tratamentos, diagnósticos e atendimento de profissionais da área a agentes de meu círculo afetivo passaram muito longe do que eu considero ideal, beirando ao que considero irresponsável. Isto deve me tornar o que alguns chamariam de paciente difícil.
Bem, uma consulta foi marcada, sem que eu fosse consultado (ironic mode), e por irritante insistência fui ao médico quando cheguei ao Rio. Antes não tivesse ido!
14h era o horário marcado. Saí de casa praticamente sem almoçar (só com o café). Chegando ao consultório, uma sala com alguns pacientes febris e tossindo. A imagem já não me agradou. “Tudo bem”, penso eu. “Vamos acabar logo com isso!”. Logo? Passaram-se umas duas ou três horas até que médico chegasse – período dentro do qual antevi outra recaída – alarme interpretado, do gênero: “Vai dar m.... de novo!” – e cheguei a solicitar a meus pais que embora fôssemos. Ele estava no hospital atendendo pacientes com suspeita de gripe em meio ao caos. Pedem-se alguns exames, entre os quais um raio-X que tempos depois revelaria ausência de pneumonia. Já era noite quando voltamos para casa. E sem que eu fosse o Vidente, acertei a previsão. Era a segunda recaída, com os mesmos efeitos da primeira: febre se elevando até quase os 39ºC. Dessa vez, porém, sem a hipotensão, já que evitei o antipirético até que ela fosse medida em uns 11 por alguma coisa. (meu normal é entre 9 e 11). Então tomei uma dose baixa. Nesse dia não comi nada, porque após os trâmites dos sintomas não reunia apetite suficiente para tal. Esta recaída me impediria de comparecer a alguns compromissos importantes previamente programados. E não sai da minha cabeça o fato de que poderia ter sido evitada se eu simplesmente ficasse em casa.
Enfim, não sei até hoje qual gripe tive, se a suína, bovina, caprina, equina, felina, humana etc. Não sei; não quero saber e só não tenho raiva de quem sabe, porque quem sabe é meu organismo, já quase recuperado (parece que um resfriado resolveu emendar o soneto). O que sei é que foi forte e pouco habitual para meus padrões. Também sei que meu ato-reflexo quando espirro consiste em levar a mão a boca para deter partículas expelidas ao ar. A mesma mão que, em muitas dioceses, anda sendo adulada como método de distribuição da comunhão sob a égide profilática em relação à gripe. Não posso deixar de dizer o quanto inócuo isso me parece.
Segundo o Houaiss, inócuo, é uma palavra capaz de adquirir, conotativamente, o sentido de algo incapaz de produzir o efeito pretendido. Pois bem, dizem que comungar na boca aumenta os riscos de contágio. Pode até ser, mas o fato é que não vejo como comungar somente na mão possa reduzir esse risco de forma considerável. Isso, é claro, sem entrar no mérito da jurisdição de igrejas particulares sobre coisas que competem exclusivamente à Igreja Universal como a disciplina sobre a distribuição da Comunhão. Se existe uma parte nojenta do corpo humano, essa parte é a mão. A mão que alguém usa para espirrar e que pega o folheto dominical que é geralmente assentado posteriormente sobre uma pilha para reutilização na missa seguinte por outro fiel que vai pegar essa mesma mão e levar ao rosto para tirar aquela mecha de cabelo que insiste em atrapalhar sua visão. Mãos que tocarão os bancos, o dinheiro do ofertório; mãos que vieram dos ônibus, dos trens, dos metrôs; que retiram panfletos colocados nos parabrisas dos carros, colocados sabe-se Deus por quem. De que adianta isso como prevenção? Proibir a comunhão de qualquer jeito me parece bem mais eficaz. Infelizmente, receio que tal medida seja o estopim para a implantação de certas ideologias heterodoxas sobre higiene. E começo a me perguntar quando o procedimento normal será restabelecido e, mais ainda, que diferença há entre os tipos de gripe para que justifiquem tal comportamento em relação a uma e não em relação à outra a qual nos faz companhia há muito mais tempo, matando gente também, inclusive? Alguém poderia dizer que essa cepa tem uma ação mais contundente em certas frações da população, como gestantes e idosos. Pois bem, isso é simples de resolver: dispensem-se essas pessoas do preceito, atitude não só coerente, como perfeitamente lícita e dentro da jurisdição das igrejas particulares. Mesmo porque todos respiram e, ao menos a maioria, falam e o falar faz com que gotículas sejam lançadas para todo lado dependendo tão somente da boa-vontade do ar para locomoção. Pior ainda o caso daquelas igrejas que, adotando a comunhão na mão, ainda são capazes de ligar os ventiladores que espalharão espirros em direções múltiplas sempre que isso for conveniente. E digo mais, julgo que a probabilidade de o ministro responsável pela distribuição tocar a mão do fiel é muito maior que a probabilidade de ele tocar sua boca. Com efeito, em tempos epidêmicos, muito mais cuidado teria uma alma sensata (ao menos eu teria) ao ministrar a Eucaristia a um fiel pela boca que, iludido por uma prevenção inócua, o contrário. Por que não instruem os fiéis a que se ajoelhem lateralmente, inclinem sua cabeça para trás dizendo Ahhhh! como a um médico e esperem a comunhão que será solta na goela do fiel sem contato direto com ajuda preciosa da gravidade? Ou isso, ou se suspenda. Mas talvez nosso povo goste de se sentir pseudoprotegido, iludido, como em “True Lies” ou “Missão Impossível”. Mas ao menos esses títulos deixam claro a verdade antes de exibir o conteúdo.
A comunhão na boca e na mão se resumem a algo muito mais simples, ao fim das contas: quem está com febre e gripado simplesmente não deveria estar na Missa, mas
Pax,
Pro Catholica Societate
